domingo, 29 de agosto de 2010

Amar não é sofrer.

A frase que dá titulo a esse post é óbvia, mas milhares de pessoas não a levam a sério e vivem relações absolutamente torturantes sem conseguir rompê-las.Homens e mulheres preferem abrir mão da própria liberdade para serem amadas: deixam de ser quem são, deixam de externar suas opiniões, deixam de agir com sua natureza manda, deixam de ser elas mesmas para não perderem o seu amor, perpetuando assim uma relação esgotante e dolorosa.Acreditam que amar é ser vítima, que o flagelo emocional faz parte do romance,mas não é bem assim.
O amor caótico inspira livros, filmes letras de música e quase sempre tem alta carga de erotismo, o que provoca fantasia de milhares de casais que se arrastam em seu feijão com arroz cotidiano.A princípio, viver de amor explosivo parece uma sorte, e não um castigo, só que depois do princípio vem o durante, e esse durante é que enlaça, prende, machuca.Encerrada a euforia inicial, instala-se uma rotina exasperante de uma relação doentia que passa longe da satisfação.Claro que é preciso o esforço de ambos em busca de um ajuste, mas se depois todas as tentativas ficar claro que a única forma de continuarem juntos é um dos dois se anular e deixar-se consumir, aí é hora de saltar desse trem em movimento.Não é fácil.Aliás nem é difícil, é aterrorizante, pois, não esqueçamos, estamos falando de relações que ainda existe amor.
Nada disso é poético, apenas realista.Amor e dor rimam em samba-canção, mas aqui fora, na vida que se vive, não precisa ser assim.Amar tem que ser uma prática alegre, construtiva, produtiva.Sem neuras, sem engessamento.Concessões fazem parte dos relacionamentos, mas sacrifícios, quem disse?Há quem tem tenha sua energia vital sugada por um vampiro que se delicia com a resignação da sua presa.Não é justo.Melhor deixar as ilusões de lado e seguir caminhando.Outro amor pode estar mais adiante, na próxima porta.

domingo, 15 de agosto de 2010

O que a gente faz para se torturar.

Adianta ficar batendo a cabeça na parede porque perdeu uma oportunidade rara de chamar uma garota pra sair?Ok, você não costuma encontra-la, não sabe seu telefone, seu sobrenome, seu endereço, onde ela trabalha, teve a chance e deixou escapar, vai passar quantos meses se lamentando como se ela fosse a última mulher do mundo?
E isso ainda é tortura leve.Tem gente com vocação geral para carrasco e que não sossega enquanto não sacrifica a si próprio.Que gente?Todos nós.
Há os que tem certeza de que, estão vivendo uma boa fase hoje, pagarão o preço amanhã, e imaginam direitinho como: sofrerão um acidente, perderão o emprego, serão traídos.Não é possível que esteja tudo bem, assim, de graça.Algo vai acontecer, é só colocar a imaginação pra funcionar.
Falei em traição?Um clássico.O relacionamento de vocês é mais firme que bloco de concreto, não há o menor indicio que possa entrar água, mas ainda sim você resiste em se martirizar.Qualquer dez minutos de atraso, qualquer ligação não atendida, qualquer desatenção vira indício de que algo está sendo escondido.E você não se aquieta enquanto não descobre o que não existe, enquanto o outro não confessa o crime que não aconteceu.
Insistimos em aceitar que, se a tragédia não bateu à nossa porta, não foi por engano, e sim por uma limitação da vida.Não bateu, passou reto, não voltará para cobrar a conta que não é devida.
Mas só um curso de imersão budista com o próprio Dalai Lama para fazer a gente abandonar os medos a que nos aprisionamos.Imagine se logo você será poupado.Até parece!Você não é bobo, não quer ser pego de surpresa, então passa a vida se preparando psicologicamente para a dor, torturando a si mesmo para, quando chegar a hora, estar tão acostumado com o sofrimento que nem doerá tanto.
É a maldita da culpa que não permite que sejamos felizes sem ter que pagar penitência por tamanha regalia.

domingo, 1 de agosto de 2010

E se tivesse sido diferente?

Recentemente li um livro chamado "O mundo pós-aniversário" no qual a autora Lionel Shriver retrata a história de Irina, uma mulher com um casamento sólido de dez anos, que um dia sente um incontrolável desejo de beijar outro homem.Pra complicar, esse homem é um amigo do casal. A partir daí, a autora divide o livro em duas histórias paralelas: a vida de Irina caso consumasse seu impulso erótico e a vida de Irina caso reprimisse seu desejo.
A autora poderia ter se contentado em escrever sobre o poder transformador de um primeiro beijo em alguém, mas foi inteligente e abordou também o poder transformador de mantermos tudo como está.É comum pensarmos que, ao ficarmos parados no mesmo lugar, sem agir, sem mudar nada, estamos assegurando um destino tranquilo(ou não).Estagnados na mesma situação, é como se estivéssemos protegidos de qualquer e possível fato que nos inquiete.Shhhh.Quietos.Ninguém se mexe para não acordar o diferente.
Não deixa de ser uma estratégia, mas falta combinar com o resto do mundo.As pessoas que nos cercam sempre vão interferir no nosso destino.Se mudarmos bruscamente ou permanecermos na rotina, tanto faz: o mundo se encarregará de trocar as peças de lugar nesse imenso tabuleiro chamado dia a dia.
Ao fazer algo que a sociedade não aprova (como ser casada e dar um beijo em outro homem, a exemplo do livro), tudo poderá acontecer - inclusive nada.Você poderá se apaixonar, abandonar seu marido e viver uma tórrida história de amor, e essa história de amor se revelar uma furada e você se arrepender, e tentar reatar com seu marido, que a essa altura já estará apaixonado pela vizinha.Ou você beijará e, em vez de iniciar um belo romance, voltará para casa bocejando e nada, nadinha será alterado.Foi só uma pequena estupidez momentânea e sem consequências.Mas das consequências de continuar vivo você não escapa.
Seja qual for o caminho que optarmos seguir, haverá altos e baixos.E isso é tudo.Se reavaliarmos alguns momentos de nossas vidas, em algum momento questionaremos:
-E se eu tivesse feito diferente?
O diferente teria sido melhor e teria sido pior.Então o jeito é curtir nossas escolhas e abandoná-las quando for preciso, mexer e remexer na nossa trajetória, alegrar-se e sofrer, acreditar e descrer, que lá adiante, tudo se justificará, tudo dará certo.Algumas vidas podem até ser tristes, outras são desperdiçadas, mas, num sentido mais amplo, não existe vida errada.